O MESSIAS PROMETIDO

Sermão pelo Rev. Karl Alden

                                                           Porque um menino nos nasceu; um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros,e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.
(Isaías 9;6).

 

                        Durante Sua vida, registrada nos Evangelhos, o Senhor Jesus Cristo fala de Seu Pai mais de cento e cinquenta vezes. Por causa disso, muitas pessoas pensam erroneamente que o Pai é uma pessoa e  que o filho é outra. Mas por outro lado, o que raramente se nota é que, no Antigo Testamento, o Senhor Jesus Cristo é chamado “Deus Forte” e “Pai da Eternidade”.

                        Isaías, um dos mais importantes profetas de Israel, que viveu no 8º século antes de Cristo, profetizou a vinda do Messias, como lemos em nosso texto, passagem que é corroboada no capítulo 7, versículo 14, onde ele diz: “Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e lhe chamará Emanuel”, que quer dizer Deus conosco.

                        Não há dúvida de que este menino que ia nascer era o Cristo; não há dúvida de que o filho que seria dado é o Senhor Jesus Cristo. Contudo, Isaías foi mais explícito. Disse-nos os nomes pelos quais esse filho seria chamado: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade e Príncipe da paz.

                        “Maravilhoso”, porque não há nada mais maravilhoso que o  nascimento de Deus Mesmo em um dos planetas de Seu universo. Jesus Cristo é, pois, o Maravilhoso. “Conselheiro”, porque com quem poderíamos aprender o “espírito de sabedoria e o espírito de caridade” a não ser com o Senhor Jesus Cristo?.

                        Compreendemos, com facilidade, estes dois atributos do Senhor. Mas Isaías mencionou ainda outros, que exigem meditação mais profunda de nossa mente, embora não possa pairar dúvida quanto à sua aceitação. O menino é chamado de Deus Forte, Pai da Eternidade e Príncipe da Paz.

                        “Deus Forte” foi realmente o Senhor Jesus Cristo como hoje sabemos. Ele venceu o mundo, venceu os infernos e reordenou os céus, impedindo que houvesse uma vitória dos males e falsidades que se alastravam por toda a parte por ocasião de Sua primeira vinda.

                        “Pai da Eternidade”. Vemos que o Filho que devia nascer é chamado não somente Filho, mas também Pai da Eternidade. Isaías tinha sido educado na religião de Moisés e conhecia muito bem o que estava escrito no Deuteronômio 6;4: “Ouve Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor”. Assim, o Pai e o Filho eram uma única pessoa, porque, na verdade, Jehovah Mesmo fluiu do céu e habitou o corpo daquele menino como Salvador do mundo. Lemos no próprio Isaías (43;11): “Eu, eu sou o Senhor, e fora de mim não há salvador”.

                        Finalmente, esse Filho que viria ao mundo é chamado “Príncipe da Paz”. Essa qualidade o Senhor a  exerceu quando disse a Seus discípulos: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá” (João 14;27). E também quando disse: “Tenho-vos dito estas coisas para que em Mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, Eu venci o mundo (João 17;33).

                        No Novo Testamento se fala do Senhor como sendo o Pai. Aprofundamo-nos em nosso raciocínio para compreender a razão por que, enquanto Ele esteve na terra, usava o termo  “Pai” para exprimir a realidade de Sua Alma Divina. Alma e corpo constituem uma só pessoa, mas, como sabemos, é a alma, o Pai, que dá ordens ao corpo, isto é ao Filho. Por isso é que o Senhor dizia que era o Pai que executava as obras feitas por Ele.

                        O Senhor determinou aos discípulos que batizassem “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mateus 28;19). Esse terceiro atributo, o Espírito Santo, é a ação resultante da integração do Pai e do Filho. Vemos, assim, que o Senhor Jesus Cristo é o Pai, o Filho e o Espírito Santo em uma única Pessoa.

                        Procuremos entender, agora, a razão por que o Senhor, nos Evangelhos, Se dirigia a Seu Pai e falava sobre Ele tantas vezes. Os Escritos nos ensinam que “o Divino do Senhor é distinguido em Divino Bem e Divina Verdade e que o Divino Bem é chamado Pai e a Divina Verdade é chamada Filho”. É por isso que o Senhor falou tantas vezes do Pai como sendo distinto e diferente d’Ele. Entretanto, em outras passagens do Evangelho, afirmava que Ele e  o Pai eram um.

                        É evidente, pois, que, para que haja uma ação harmônica, para que haja uma realização plena, é indispensável que o amor e a sabedoria se integrem. Para bem compreendermos isso, façamos uma comparação com a integração do amor e da sabedoria humanos. Imaginemos que Beethoven tinha amor pela música mas que não tinha a sabedoria dos conhecimentos da harmonia e da técnica para escrevê-la. Assim incompleto, seu gênio não comporia as obras primas que nos legou. Integrados, porém, seu amor e sua sabedoria da música, transmitiu ele à humanidade o tesouro de seus concertos, sonatas e sinfonias.

                        Compreendendo isso, podemos entender porque o amor infinito de Deus encarnou-se na sabedoria infinita, realizando a integração nos planos infinito e material e exercendo Sua ação em todos os planos. Lemos “No começo era a Palavra, e a Palavra estava com Deus, e a Palavra era Deus... E a Palavra se fez carne e habitou entre nós e vimos a Sua glória como a glória do unigênito do Pai” (João 1;1 e 14). A Palavra, a sabedoria encarnada, era o Senhor Jesus Cristo. “Todas as coisas foram feitas pela Palavra e sem ela nada do que foi feito se fez” (João 1;3). Mas o Senhor atribuía ao Pai o poder de executar os atos maravilhosos que Ele praticava, dizendo: “A minha doutrina não é minha, mas d’Aquele que me enviou” (João 7;16) e, ainda “Eu não posso de Mim mesmo fazer coisa alguma” (João 5;30).

                        Mas, em outra passagem, torna-se evidente que o Senhor Jesus Cristo é o meio pelo qual a vida Divina é dada às criaturas humanas. É o que lemos em João 15;1 a 4: “Eu sou a videira verdadeira e meu Pai é o lavrador. Toda a vara em Mim que não dá fruto, tira-a,e limpa toda que dá fruto, para que dê mais fruto. Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado. Estai em Mim e Eu em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim nem vós se não estiverdes em Mim”.

                        Podemos ver por todas essas passagens que o Senhor esforçou-se continuamente por levar as mentes de Seus discípulos ao conceito de um único Deus em uma única Pessoa, cuja alma era o Divino Amor infinito e cujo corpo era Ele Mesmo, e vemos também que o Senhor estava sempre procurando abrir-lhes os olhos para o fato de que o Pai estava n’Ele.

                        O ponto culminante deste ensinamento encontra-se no Evangelho de João. Terminada a última ceia, o Senhor disse aos discípulos: “E já sabeis para onde vou e sabeis o caminho” (João 14;4). Essa afirmação era um incitamento, pois Tomé disse imediatamente: “Senhor, nós não sabemos para onde vais, e como podemos saber o caminho? Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por Mim. Se vós me conhecêsseis a Mim, também conheceríeis a Meu Pai e já desde agora O conheceis e O tendes visto” (14;5 a 7). Assim falando, o Senhor esclareceu-lhes que, se O tivessem conhecido, a grande brecha entre o Infinito do Pai e o processo de finitização de Deus para conhecimento dos homens,realizado n’Ele, essa grande brecha teria sido transposta e eles teriam conhecido o Divino Humano Salvador, teriam conhecido o Pai como apareceu neste mundo. Mas isso estava acima da compreensão deles, e agora é Felipe quem diz: “Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta. Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco e não me tendes conhecido,Felipe? Quem vê a Mim vê o Pai, e como dizes tu: Mostra-nos o Pai? Não crês tu que Eu estou no Pai e que o Pai está em Mim? (João 14;8-10).

                        Mas Felipe jamais havia visto o Pai em Jesus. Felipe estava com o Senhor desde o princípio, isto é, desde quando começou o ministério público de Jesus. Foi o quinto discípulo a ser chamado. Provavelmente, ele pensava que conhecia o Senhor. Mas ele via apenas o que aparecia externamente. Via Sua face, as roupas e as sandálias por Ele usadas. Estava acostumado com Suas idas e vindas, com Seus hábitos, com Suas palavras, mas não havia identificado a alma do Senhor. “Estou há tanto tempo convosco e não me tendes conhecido Felipe?” O Senhor disse isso, porque sabia que Felipe nunca vira o Pai que estava n’Ele apesar de Felipe ter tido várias oportunidades para certificar-se disso, como veremos.

                        Em uma ocasião, o Senhor saiu  da casa de Jairo e foi seguido por dois cegos, que Lhe pediram para curar sua cegueira. Felipe viu o Senhor pôr os dedos sobre os olhos dos cegos e testemunhou a restauração de sua vista. Neste milagre, Felipe devia ter visto o Pai. Ele estava testemunhando o poder Divino em ação; isso era a manifestação do Pai Divino, que morava dentro do Senhor. Era um milagre que somente o poder de Deus podia realizar. Mas Felipe não viu o Pai.

                        Em outra ocasião, quando o Senhor desceu da montanha, onde tinha proferido o Seu famoso sermão, “eis que veio um leproso e O adorou, dizendo: Senhor, se  Tu queres, podes purificar-me. E Jesus, estendendo a mão, tocou-o, dizendo: Quero, sê puro. E logo ficou purificado da lepra” (Mateus 8;2 e 3). O leproso pediu ao Senhor para limpá-lo, porque teve a intuição de que um poder Divino poderia fazê-lo. Se Filipe tivesse visto o que transparecia naquela cura, teria visto o poder do Pai. Teria visto o Divino poder do Pai surgindo do Senhor e curando o leproso. Mas Filipe não viu o Pai.

                        Lembremos o episódio do barco. Filipe estava com o Senhor em um barco, no mar da Galiléia, quando se levantou uma grande tempestade, que ameaçava submergir a embarcação e afogá-los. O Senhor dormia na popa. Cheios de medo, os discípulos “O acordaram dizendo: Senhor, salva-nos, que pereceremos... Então, levantando-Se, repreendeu os ventos e o mar, e seguiu-se uma grande bonança. Aqueles homens se maravilharam dizendo: Quem é este que até os ventos e o mar lhe obedecem?” (Mateus 8;25 a 27). Certamente, Filipe devia ter visto neste milagre, não o poder do filho de Maria, mas o poder do Pai. Filipe devia ter compreendido que ninguém, a não ser Deus, podia ordenar que a tempestade cessasse. Quando ouviu o Senhor dar uma tal ordem e quando viu a tempestade obedecer imediatamente ao Seu comando, sua mente devia ter percebido que o Divino poder que residia no Senhor, o poder do Pai, é que tinha realizado o milagre. Ainda uma vez, entretanto, Filipe não viu o Pai.

                        Finalmente, lemos no capítulo 11, versículos 3 a 6 de Mateus, que João Batista enviou discípulos seus a Jesus com a pergunta: “És tu aquele que devia vir, ou esperamos outro? Jesus, respondendo, disse: Ide e anunciai a João as coisas que ouvis e vedes: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são purificados e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados e o evangelho é anunciado aos pobres. E bem-aventurado é aquele que não se escandaliza em Mim”. Filipe devia estar presente por ocasião do envio dessa mensagem, que mostrava claramente a ação da Alma Divina do Senhor. Mas o milagre da encarnação do Pai era ainda de difícil percepção para a mente de Filipe.

                        O Senhor efetivamente falou sobre o Pai, nos Evangelhos, mais de cento e cinquenta vezes. Nós, da Nova Igreja, esclarecidos pelos Escritos, aprendemos a lição que Ele procurou ensinar quando esteve neste mundo e compreendemos que o Pai era a Alma Divina que estava dentro d’Ele e que Sua missão na terra foi revelar-nos a existência do Infinito Divino Amor n’Ele encarnado.

                        Com essa firme convicção, vendo no Senhor Jesus Cristo um conjunto de atributos em uma só Pessoa, estamos aptos a compreender agora a significação das palavras que saíram dos lábios de Isaías e que nos servem de texto: “Porque um menino nos nasceu; um filho se nos deu; o governo está sobre os  seus ombros, e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz”. Amém.

 

1ª Lição: Isaías 9;1 a 7
2ª Lição: João 14;4 a 11
3ª Lição: AC 3704

Adaptação de J. Lopes Figueredo
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A ESSÊNCIA DIVINA

 

                        Assim, o Senhor em Sua essência nada mais é do que o Divino Bem e isto quanto ao Divino em Si Mesmo e quanto ao Divino Humano... Como o Divino Bem toma forma como Divina Verdade, para compreensão do homem, o Divino do Senhor é distinguido em Divino Bem e Divina Verdade, e o Divino Bem é o que, na Palavra, é chamado “Pai” e a Divina Verdade é o que é chamado “Filho”. (Como) este arcano estava oculto, o Senhor Mesmo fala muitas vezes de Seu Pai como distinto d’Ele, como se fosse outro que não Ele; e outras vezes afirma que Ele é um com o Pai. Em Isaías 9;6... é evidente que “um menino que nos nasceu e um filho que nos foi dado” é o Senhor (Jesus Cristo); assim é o Senhor que é chamado “Pai da Eternidade”.